Compartilhar

terça-feira, 28 de julho de 2009

A (DES) IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

Interessante a resposta recebida hoje de uma empresa de grande porte considerada uma das mais modernas do Brasil, referente a uma proposta para que seus executivos, gerentes e todos os envolvidos na operação comuniquem-se melhor, apresentem novos produtos, façam palestras, reuniões produtivas de forma elegante, com técnica, vocabulário adequado e boa dicção. Ou seja, melhore o relacionamento interpessoal e cresça profissionalmente:


- Diante do momento de crise, a diretriz da nossa Diretoria Geral foi de cancelar todos os investimentos em treinamentos até o mercado reagir satisfatoriamente.Sendo assim, guardarei seus contatos para um encontro futuro quando retomarmos os investimentos nesta área.Atenciosamente,Analista de Gestão em RH



Compreendo que uma empresa neste momento não precisa nem queira esta baboseira até porque seus executivos são de alto nível e não tem tempo a perder com pequenas coisas. O país e a falta de seriedade estão acabando com o sistema nervoso de todo mundo, principalmente dos empresários que não tem idéia do que fazer. É um quadro desalentador. Desalentador porque há espaço para crescer, os grupos estão crescendo, novas empresas surgindo e nunca, o saber lidar com o conhecimento foi tão valorizado.


Informações perdem seu valor quando existem em abundância, mas o conhecimneto construído com elas tem valor incalculável. Aí está a diferença.



Se não há espaço para melhorar a expressão verbal de seus funcionários, imagine estudar logística macro num país sem estrada, sem trilhos, sem navios, sem vergonha, sem nada.
O que não compreendo são as estratégias adotadas pelas empresas em momentos de crise atualmente.


Durante 12 anos trabalhei na Coca-Cola Indústrias Ltda, no Brasil e em dois fabricantes, e os momentos de baixa venda no inverno e crises, eram os momentos de treinar as equipes, rever as campanhas, reformar os veículos, equipamentos de fabricação, motivação, rever as rotas de vendas, conhecer os clientes, melhorar o relacionamento com todos os "stackholders", e por aí íamos caminhando.
Quando saíamos da tempestade estávamos com o barco novo, pintado, equipe pronta para entrar em ação, enquanto a concorrência ia começar a agir.


Formado há 25 anos em administração, especialização em Marketing, pesquisas na Nielsen, Sistemas de Informação ERP, CRM na Intel, Mestrado na FGV, aperfeiçoamento em Londres e 12 anos lecionando no ensino superior, apresentando trabalhos em painéis nos fóruns mundiais da educação e acompanhando as mudanças tecnológicas, continuo me questionando porque o Espirito Santo investe tão pouco, e mal, nos seus funcionários e no potencial jovem? Porque que todas as vezes que uma empresa grande se instala aqui 60 a 70% da mão de obra especializada é contradada fora?


As escolas não se aventuram a responder. Aliás, NINGUÉM.
Pior. Isto é uma afirmação que vai de encontro a sistemas ou pressupostos que se impuseram como incontestáveis ao pensamento comum, e parece que nada mudará este quadro por mais que o governo e a academia tentem.


Tivesse eu ficado aqui após completar meus 17 anos e seria mais um nesta multidão que se desdobra para ocupar cargos de distinção nas empresas com esforço sobrehumano, ou pelo menos tentar sobreviver com dignidade.


Temos valor sim, e muito. Capixabas NO E FORA do Espirito Santo existem muitos, e de sucesso. O problema é parte do empresariado com a dicotomia que lhe aflige os 365 dias do ano: investir na empresa, no Mercedes novo ou nas férias na Europa.


Isto não é informação nem conhecimento.