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domingo, 6 de setembro de 2009

e o problema continua.......


Recebi este artigo do meu cunhado Pedro Amaral, publicado na Veja há algum tempo
Há tempos nas salas de aula, eu batia na tecla do ensino replicador, sem criatividade, que o professor falava o que o aluno queria ouvir, e assemelhava-se ao sistema bancário de ensino abordado por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido.
O professor deposita o seu conhecimento no "banco" (alunos), e no final do mes extrai o saldo: NADA MAIS PERVERSO.


Brincava em aula que depois que aprendíamos a tabuada ninguém na rua nos cumprimentava: - prazer Roberto, quanto é 8x9 ?
Tentando explicar que a utilização do aprendizado é para dedução, utilização nos campos de atuação, pesquisa e no desenvolvimento prório e do país.

Tentei de todas as formas reverter este quadro com seriedade, criar o aluno reflexivo. Buscava a participação o gosto pela pesquisa, a busca pelos problemas. O texto do Professor Kanitz cai como uma luva.
Nada disto é possível. O ensino do país passa por um desmonte e as soluções não saem do papel. Exceções localizadas dignas de aplausos existem. E só.

Hoje temos dificuldades em setores chaves de empresas, organismos governamentais, escolas e profissionais autônomos na comunicação verbal. E encontramos dificuldades em trazer o aluno para o seu próprio crescimento.

O
Curso de Expressão Verbal e Oratória Luiz Antonio de Lacerda inicia duas turmas semana que vem. Ótima oportunidade para aprimorar suas habilidades.


Mais detalhes sobre a aula de apresentação em www.rededetreinamento.com.br/email?/aula10.htm

Eu vim para ajudar as pessoas a comunicar e relacionar-se melhor. Tornar mais o mundo mais habitável. E você?






Qual é o Problema?

Autor: Stephen Kanitz
Stephen Kanitz é brasileiro nato, com mestrado em administração por Harvard.

Um dos maiores choques de minha vida foi na noite anterior ao meu primeiro dia de pós-graduação em administração.
Havia sido um dos quatro brasileiros escolhidos naquele ano, e todos nós acreditávamos, ingenuamente,
que o difícil fora ter entrado em Harvard, e que o mestrado em si seria sopa. Ledo engano.
Tínhamos de resolver naquela noite três estudos de caso de oitenta páginas cada um.
O estudo de caso era uma novidade para mim.
Lá não há aulas de inauguração, na qual o professor diz quem ele é
e o que ensinará durante o ano, matando assim o primeiro dia de aula.
Essas informações podem ser dadas antes.

Aliás, a carta em que me avisaram que fora aceito como aluno
veio acompanhada de dois livros para ser lidos antes do início das aulas.
O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing,
em que a empresa gastava boas somas em propaganda,
mas as vendas caíam ano após ano.
Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia, um culpando o outro,
e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a situação.

O caso terminava ali, e ponto final. Foi quando percebi que estava faltando algo.
Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil.
Não havia nenhuma pergunta do professor a responder.
O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras?
Eu, como meus outros colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo
"Deve o presidente mudar de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?".
Afinal, estávamos todos acostumados com testes de vestibular
e perguntas do tipo "Quem descobriu o Brasil?".

Harvard queria justamente o contrário.
Queria que nós descobríssemos as perguntas que precisam ser respondidas ao longo da vida.
Uma reviravolta e tanto.
Eu estava acostumado a professores que insistiam em que decorássemos as perguntas
que provavelmente iriam cair no vestibular.

Adorei esse novo método de ensino, e quando voltei para dar aulas na Universidade de São Paulo,
trinta anos atrás, acabei implantando o método de estudo de casos em minhas aulas.
Para minha surpresa, a reação da classe foi a pior possível.
"Professor, qual é a pergunta?", perguntavam-me.
E, quando eu respondia que essa era justamente a primeira pergunta a que teriam de responder,
a revolta era geral: "Como vamos resolver uma questão que não foi sequer formulada?".

Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas e definidas,
por uma razão muito simples:
é mais fácil para o aluno e também para o professor.
O professor é visto como um sábio, um intelectual, alguém que tem solução para tudo.
E os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas feitas, como no vestibular.

Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência,
o mito de que todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas.
O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos é repeti-las na prova final.

Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir
que seu patrão não lhe perguntará quem descobriu o Brasil
e não lhe pagará um salário por isso no fim do mês.
Nem vai lhe pedir para resolver "4/2 = ?".
Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito, muito menos uma divisão perfeita,
os números da vida sempre terminam com longas casas decimais.
Seu patrão vai querer saber de você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua área.
Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas,
e não os que repetem suas melhores aulas.

Uma famosa professora de filosofia me disse recentemente que não existem mais perguntas a serem feitas,
depois de Aristóteles e Platão.
Talvez por isso não encontramos solução para os inúmeros problemas brasileiros de hoje.
O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para os problemas errados.

Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-dia,
uma vez definido qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil,
a solução não demora muito a ser encontrada.

Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas
mais do que sair arrogantemente ditando respostas.

Se você ainda é um estudante,
lembre-se de que não são as respostas que são importantes na vida, são as perguntas.