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domingo, 18 de julho de 2010

O caminho das urnas: os profissionais que faturam com as eleições

O caminho das urnas: os profissionais que faturam com as eleições

Enorme minha satisfação com a entrevista do prof. Polito, com quem aprendi muita coisa sobre Expressão Verbal e reforçou o que eu pensava do comportamento humano.
NUNCA conheci ninguém tão ético em minha vida e o maior troféu que tenho, além de seus ensinamentos e dedicatórias, é um e-mail que guardo acima de qualquer diploma ou elogio que ele me enviou quando o questionei sobre a possibilidade de eu ter cometido um deslize com ele.

E-mail lacônico, delicado e até hoje quando início uma turma ou anuncio um novo curso as palavras daquele e-mail estão lá, gravadas na minha memória:
"Luiz Antonio, fique tranquilo. Você é uma das pessoas mais éticas que eu já conheci" e explica porque, o que não cabe aqui por tratar-se de assunto privado.

Meu curso em Vitória/ES está autorizado a utilizar o material do Polito sem que nada eu tenha feito para isto, a não ser minha dedicação e seriedade/sinceridade, e nenhum tostão envolvido.

Polito é a maior referencia que tenho, e ainda bem que tenho uma referência. Não há idade para encontrá-la. Prova de que há esperança para este país.


Não poderia deixar de reproduzir sua entrevista na Revista Época/SP.

O caminho das urnas: os profissionais que faturam com as eleições


Como a campanha eleitoral, que começa oficialmente no dia 5, movimenta a economia e a rotina dos paulistanos


por Nathalia Ziemkiewicz e Victor Ferreira

Ilustrações: Japs - 16/07/2010 - 18:31






“É SEMPRE UMA ROMARIA”


Professor de expressão verbal há 35 anos – e somando 1.600 alunos por ano –, Reinaldo Polito conta que em períodos eleitorais triplica a procura de políticos. Eles vêm de todo o país e desembolsam, antes mesmo das disputas dentro do partido, a partir de R$ 3 mil pelo curso de oratória. Depois, inscrevem as esposas, importantes cabos eleitorais.





Quem são seus alunos?Estudantes de Direito, executivos de empresas como Google e Odebrecht, artistas como Sabrina Sato e esportistas como o nadador Gustavo Borges. Em anos comuns, os políticos não chegam a 10%. Nessa época, é sempre uma romaria.

Como é o curso?
Não estabeleço padrões do tipo “fale assim ou assado”. Percebo o estilo da fala: ritmo, entonação, vocabulário, cacoetes, como constrói as frases e faz pausas. Em seis horas, com teoria e prática, aprimoro o que o aluno já traz. Na tribuna, com microfone, ele improvisa um discurso. Gravo, assistimos, eu aponto problemas e reforço qualidades.

Qual é a importância da oratória na política?
É o ganha-pão do político. O que ele faz além de falar? Se tiver todo o conteúdo do mundo, mas não souber comunicá-lo, é como se não o tivesse.

O que faz um bom orador?
Ele sabe o que oferecer a cada plateia. Se discursar sobre educação em uma faculdade, vai perder voto: seria mais objetivo apresentar propostas sobre mercado de trabalho.
 
Qual é o erro mais comum?
Não medir a emoção e falar de violência em tom apático ou falar de um assunto sem muita relevância com indignação exagerada .
 
E qual é o caso mais difícil?
Pior que o tímido é aquele que não tem estrutura na fala, ou seja, não sabe organizar as ideias – porque o ouvinte não entende a mensagem.
 
Como um político escapa de saias justas?
Ele trata um pedaço da pergunta como se fosse a questão inteira. Passa a impressão de que não fugiu, mas respondeu apenas o que interessava.
 
Qual é a regra básica para o gestual?
Quanto maior e menos culta for a plateia, mais abrangente deve ser o gesto. Num comício, vale erguer o braço acima da linha da cabeça. Com empresários, as mãos devem ser mais contidas. E na televisão o semblante é que conta.
 
E com discurso vazio, tem jeito?
Não. Não preparo plataforma política, só ajudo a perder o medo e organizar as ideias para passar a mensagem com clareza.





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