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sábado, 5 de março de 2011

CARTAS ABERTAS À PRESIDENTE IX




COLUNA DO FOSCOLO           
Carlos FOSCOLO
                     carlos@foscolo.biz                       

                                                                                     

CARTAS ABERTAS À PRESIDENTE – IX

DIFÍCIL DESAFIO: CORRIGIR ERROS DO ANTECESSOR EM GOVERNO DE CONTINUIDADE




Presidente Dilma,

            Não é tarefa fácil fazer um governo de continuidade quando o antecessor cometeu vários erros.  O primeiro desafio é corrigir cada  erro sem dizer que o antecessor estava errado.  Mas, com pouco mais de dois meses de governo, apraz-nos ver que já estão sendo corrigidos, sutilmente, sem grande alarde, para não ferir os sentimentos daquele que foi o mentor de sua vitória nas urnas, e não provocar problemas dentro de seu próprio partido.  E não demorará muito, presidente, à medida que essas correções forem sendo efetivadas, você terá de lutar, com toda a sua tenacidade contra a oposição dentro de seu próprio partido, cujo controle, por si só, já é um grande problema em virtude das diferentes correntes ideológicas dentro dele mesmo.
            É evidente que o presidente Lula é uma pessoa notável, com uma invejável história de sucesso e teve também muitos acertos, pois caso contrário não teria níveis de aprovação tão elevados. Entretanto, alguns erros crassos foram cometidos, sobretudo na economia e na política externa, havendo também alguns de correção mais fácil que são aqueles referentes ao loteamento político, quando preencheu com políticos indicados pelos partidos aliados, cargos que deveriam ser ocupados por técnicos – como os das agências –  uma prática que a presidente se recusa a utilizar, o que por si só já é uma correção de erros do passado.
            Na área econômica, não obstante o PIB alcançado de R$3,675 trilhões alcançado em 2010, com um crescimento de 7,5% sobre o ano anterior – inquestionável mérito, sobretudo da pujante indústria brasileira – os efeitos da “gastança” comandada pessoalmente por seu antecessor, que não hesitava em ir para os palanques ou para as luzes das câmeras da televisão incitar o povo a gastar, gastar e gastar, já estão sendo sentidos e corrigidos.  Distante apenas uma semana de passar a faixa presidencial, o presidente ainda insistia em afirmar que não haveria cortes no PAC, porque ele não permitiria, esquecendo-se de que não seria mais presidente ou talvez, ingenuamente, subestimando a capacidade de tomar decisões firmes que – ao que tudo indica – é uma característica da presidente.  Felizmente, o ministro Mantega, que, quer queiram ou não, é também um dos grandes timoneiros da economia brasileira, embora tivesse concordado com os excessos de gastos do presidente anterior, tão logo reassumiu o ministério, iniciou as correções de rumo, seguindo as orientações da nova presidente, para enxugar a máquina governamental cortando os excessos de despesas;
            Na área de política externa – e não pensem que ela não tem importância num mundo globalizado como este – é que os erros são mais visíveis pelo mundo inteiro.  Os erros brasileiros foram tão graves que hoje, o ditador Muammar Gadaffi, da Líbia, em entrevista às emissoras internacionais e no discurso que fez para centenas de seus partidários, chegou a dizer que tinha o apoio do Brasil.  Esta segurança e certeza de Gadaffi (ou Kadaffi) do apoio do Brasil não é sem razão:  Tudo  começou  quando  o presidente Lula,  único convidado de honra presente à Cúpula da União Africana, em julho de 2009, ao fazer seu discurso, iniciou sua saudação ao ditador líbio dizendo: “Meu amigo, meu irmão, e meu líder”.  
        Vários outros erros foram cometidos na política internacional. Um deles foi a aproximação com o governo de Ahmadinejad. Outro foi a  transformação da embaixada do Brasil em Tegucigalpa em pensão para abrigar o candidato a ditador Zelaia, que foi deposto pela Suprema Corte de seu país por atentar contra a constituição e querer se perpetuar no poder, mas foi apoiado pelo Brasil, porque também era apoiado por Hugo Chaves e os irmãos Castro, todos amigos do presidente Lula, a despeito de suas práticas ditatoriais.  Hoje já se fala na possibilidade de Gadaffi chegar a se refugiar na embaixada brasileira em Trípoli, o que estaria sendo articulado por Hugo Chaves, em caso de emergência.  E isso seria um desastre para a política externa de seu governo, presidente.  Mas temos já certeza de que a presidente tomaria medidas completamente diferentes das tomadas por seu antecessor, numa eventualidade como essa.
            Assim, presidente, cremos não estarmos enganados ao afirmar que, como tudo vem indicando até agora,  seu governo não pretende cometer  erros tão primários em termos de diplomacia.  A prova disso tem sido o seu discurso em favor dos direitos humanos, posicionando-se veementemente contra o Irã como no caso da execução de Sakineh.  Também na ONU, após a depois do governo da presidente, o Brasil já se posiciona de forma mais lúcida e madura diante das difíceis questões internacionais, como no presente caso da Líbia.
            Hoje, já conhecendo alguns aspectos da personalidade da presidente, temos já a certeza de que seu posicionamento jamais será favorável a Gadaffi.  No entanto, sabemos que hoje, existe no mundo apenas 3 países que apóiam o ditador líbio:  Cuba, Nicarágua e Venezuela.  Se seu antecessor ainda estivesse no poder, estaria o Brasil  somado as esses três?
            Ficamos a imaginar como deve ser difícil corrigir os erros, as ações, as declarações de antecessores quando se exerce um governo de continuidade.  Mas parece-nos, presidente, que sua personalidade é suficientemente forte para colocar os interesses do Brasil acima dos interesses meramente partidários ou ideológicos, ou de mera gratidão a quem teve um tão preponderante papel na sua eleição.


UMA JANELA PARA O MUNDO – V

A PALAVRA EMITIDA, A SETA ATIRADA, A ÁGUA...
Alertava o nosso saudoso governador do Estado de Minas Gerais, Aureliano Chaves de Mendonça, que “a palavra emitida, a seta atirada e a água que toca o moinho, não têm volta”.  Que bom se o nosso simpático, inteligente, carismático e vitorioso presidente Lula, porém “falador” (outspoken, como dizem os ingleses e americanos) soubesse deste alerta do governador mineiro, quando numa solenidade que reunia as nações africanas, realizada na Líbia não tivesse chamado o presidente Muammar Gadaffi de “meu amigo, meu irmão, e meu líder”.
Kadaffi, Evo Morales e o ex-Presidente Lula


Sabemos que o presidente sempre foi muito influenciando por seu assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, que não consegue nem ouvir o nome dos Estados Unidos da América e sempre influenciou o presidente a cultivar amizades com líderes anti-americanos.  No entanto, esta “eminência parda”, que também pegou carona no governo Dilma, parece não estar tão mais influente, já que a presidente tem demonstrado uma independência muito grande em relação aos pensamentos de seu, ainda, assessor internacional.


POR QUE ALGUNS PAÍSES CRESCEM NAS DITADURAS?

Crescer é um termo muito relativo.  Países, empresas, pessoas podem até mesmo crescerem negativamente: É o crescimento no sentido oposto.  Mas aqui, não querendo jamais fazer a apologia de qualquer ditadura, elas, entretanto, parecem ter alguns ingredientes que favorecem alguns crescimentos, não necessariamente negativos, mas também positivos.  Senão vejamos.
            Cuba, sob a ditadura dos irmãos Castro, deve ser hoje, juntamente com a Coréia do Norte, Bangladesh  e mais alguns países africanos um dos países mais pobres – no sentido econômico-financeiro – do mundo.  No entanto, é inegável, também, que o povo cubano é um dos mais cultos das Américas.  É interessante notar que cultura e riqueza parecem não serem muito compatíveis.  É comum se encontrar escritores, pintores, professores que foram pobres a vida inteira. É-de-se perguntar:  É culto porque é pobre, ou é pobre porque é culto?
            Outras ditaduras como a do Egito, Tunísia e Líbia, todas com décadas de ditadura,  são países que detêm os maiores índices culturais e de renda per capita da África.  Outras, como a ditadura do Partido Comunista da China, levou a nação à posição de segunda maior economia do mundo, embora sacrificando a liberdade de expressão de seu povo, proibindo, inclusive, que seus cidadãos recebessem títulos concedidos pela Fundação Nobel. Este sucesso da economia chinesa seria devido à disciplina imposta às suas forças de produção?  E esta disciplina seria um dos atributos de sua ditadura do Partido?
            Só nos resta chegar a uma conclusão: Cada país tem seu próprio padrão de democracia, de governo, de aspirações individuais, de valores, de aspirações. Assim, é possível que haja países que não funcionariam jamais se todos os seus cidadãos tivessem liberdade de expressão ou de ir e vir – como, por exemplo, a China.  E talvez isso devesse ser analisado, pois o que é bom para um país que tem 200 milhões de habitantes pode não ser bom para quem tem 1,5 bilhão de pessoas. Talvez seja hora de rever os conceitos de democracia, monarquia, socialismo, capitalismo, autocracia.  Gadaffi aproveitando-se desta confusão, diz que no seu país impera a “Democracia Direta” e que não pode renunciar, porque ele não é nem presidente e nem monarca.  Diz ser apenas um líder, uma espécie de mero facilitador, tradutor da vontade direta e permanente de seu povo. E, Democracia Direta, a única que conhecemos é a da Suíça, que muito longe está de se parecer com a alegada “democracia” da Líbia.
            Pelo menos de uma coisa temos certeza: Talvez um dos únicos valores relevantes numa ditadura seja a disciplina.  E disciplina é essencial para que objetivos sejam atingidos.  Seria esta a causa de alguns casos de sucesso? Mas vale a pena crescer positivamente, mas sem liberdade de expressão e de ir e vir?
            Gostaríamos de ouvir a opinião de nossos leitores.


NOTAS

E-mails Recebidos (por ordem de chegada):

Do amigo, Olavo Machado Júnior, hoje presidente da FIEMG de Minas Gerais, e com quem trabalhei como diretor administrativo de sua empresa Machado Correa Engenharia Ltda, empresa-holding do Grupo Machado Correa
Caro Carlos,
Ótimos os dois artigos,
Objetivos, diretos e claros, sem citar a oportunidade da atualidade dos temas.
Pela abordagem competente, me inspirarei neles em futuros pronunciamentos.
Parabéns,
Abraços,
Olavo


Do amigo e Desembargador Belizário Antônio de Lacerda, que também é pompeano:
Caro amigo Carlos Fóscolo.
Obrigado pela remessa de seus artigos. Como sempre acontece são muito ricos de conteúdo, atualidade e objetividade em seus enfoques.
Já está agendada para o dia 25/03 a aula inaugural de nosso
Tribunal de Justiça Arbitral do Centro-Oeste Mineiro.
Nesta data estarei com muita satisfação em Pompéu para darmos início a esta nova empreitada, baldadas as dificuldades que todo início de empreendimento requer.
Um abraço do amigo,
Belizário de Lacerda

Do caro leitor Alécio Menezes Maciel:
Caro Foscolo,
o PT segue os ensinamentos de Antonio Gramci, espero que tudo que está acontecendo hoje no governo Dilma continue até o seu ultimo dia, e que não ocorra nenhuma mudança de rumo no meio do caminho.
Alécio

Do caro leitor Wesley K.Y.:

Queria expressar que nosso amigo Carlos,fala muitas palavrinhas
difíceis que poucos dão valor.   Oh moço usa mais gíria seja mais popular.pq
os  leitores somos nós e não um bando de juizes e diplomatas não. Ah se ela
acompanha projeto lula ela vai ser a melhor de todos os tempos..abçs

Da amiga Janet Hancock ,que foi minha colega na nossa Dyersburg High School, de Dyersburg, Tennessee, USA.  Ela faz referência ao fato de eu e Barry (outro colega da mesma escola) gostarmos de escrever e termos - segundo ela -  boas idéias para nossos países.  Por isso ela sugere que devêssemos concorrer a altos cargos políticos. Mal sabe a cara ex-colega e amiga que ter idéias é o que menos se exige da maioria dos políticos brasileiros.  Na segunda parte de sua mensagem faz referência à dengue que tive e diz ter lido um artigo sobre o plano arrojado da Presidente Dilma  para combater a expansão da doença, mas indiretamente referindo-se à minha Carta à Presidente VIII, da semana passada, ironicamente diz que provavelmente criaria também alguns ministérios extras:
Carlos
I just finished reading the past 4 articles you sent.  They lose something in the Google translation, but have enjoyed them.  Thanks for the mention of us in one of them.  I told Barry that you and he are so adept at writing and have such good ideas for our countries that y'all should run for high political offices.  You would certainly do better than what we have now!
Sorry to hear of your bout with this.  Stay away from those "skeeters" as we call them here in Ky!  I read an article that Pres. Dilma launched an ambitious plan to combat the spread of dengue. ( probably created a few extra ministries, too). Hope it helps.  Y'all be careful, now.
Janet

O Tribunal de Justiça Arbitral do Centro-Oeste Mineiro

Convidamos a todos os interessados a assistir a palestra que será proferida pelo Desembargador Belizário Antônio de Lacerda, às 19:30 do próximo dia 25 de março, no Lions Clube de Pompéu.  A entrada é franca, e  estará aberta a todos que queiram ter um maior conhecimento sobre os Tribunais de  Mediação e Arbitragem, sendo implantados em todo o Brasil, a exemplo dos países de primeiro mundo, onde já julgam 70% das pendências.


2 comentários:

Foscolo disse...

Caro Luiz,
O blog está cada vez melhor. Agradeço-lhe mais uma vez pela postagem de meus modestos escritos.
Um abraço
Carlos Foscolo

Luiz Antonio Lacerda disse...

É um prazer Foscolo. Estamos migrando para o site.
Veja depois em www.rededetreinamento.com.br
Abraços
Luiz Antonio